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Filhos de ex-namoradas de Jairinho relatam agressões; mulher acusa ex-vereador de dopá-la e estuprá-la

Justiça do Rio retoma julgamento do caso Henry Borel No 4º dia do julgamento do caso Henry, testemunhas relataram episódios de violência envolvendo o ex-ver...

Filhos de ex-namoradas de Jairinho relatam agressões; mulher acusa ex-vereador de dopá-la e estuprá-la
Filhos de ex-namoradas de Jairinho relatam agressões; mulher acusa ex-vereador de dopá-la e estuprá-la (Foto: Reprodução)

Justiça do Rio retoma julgamento do caso Henry Borel No 4º dia do julgamento do caso Henry, testemunhas relataram episódios de violência envolvendo o ex-vereador Jairinho. Filhos de ex-namoradas afirmaram ter sofrido agressões, enquanto uma mulher que se relacionou com ele disse ter sido dopada e estuprada. Por volta das 15h40, uma advogada foi retirada do plenário sob suspeita de observar anotações dos jurados durante o julgamento. "Doutora, se eu pegar a senhora olhando novamente as anotações dos jurados a senhora vai sair daqui. Eu não conheço essa senhora, mas se eu pegar, ela vai sair e vai passar essa vergonha", disse a juíza Elizabeth Machado Louro pouco antes da determinação para que ela saísse. Selma Elizabeth Blum afirmou ser amiga de um promotor e disse não ter ligação com as partes envolvidas no processo. Ela declarou ainda ter sido humilhada e negou ter feito qualquer anotação. "Jamais faria isso. Honro minha classe e a classe de todos advogados. Estou junto com um promotor amigo meu, que não é ligado as partes, vim só acompanhar a sessão. Não fiz anotação nenhuma. Foi exagerado, me humilhou, não merecia", disse Selma. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Mulher é retirada do plenário durante júri do caso Henry Raoni Alves/g1 Rio 4º dia de depoimentos Confira, a seguir, o que disseram as testemunhas na ordem em que prestaram depoimento. A primeira a ser ouvida foi Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, de 18 anos. A jovem é filha de Natasha de Oliveira Machado, também testemunha, namorada de Jairinho entre 2010 e 2013 — na época, Kaylane tinha entre 3 e 6 anos. Em depoimentos anteriores, a jovem tinha alegado que o ex-vereador tentou afogá-la em uma piscina e a agrediu em diversas oportunidades. Nesta quinta-feira (28), Kaylane reafirmou que apanhou de Jairinho e admitiu que teve medo, à época, de relatar o caso — e que chegou a se sentir culpada pelo que aconteceu com Henry Borel. “Eu me senti muito culpada. Se eu tivesse falado, talvez não chegasse ao que chegou”, declarou. Kaylane ainda afirmou que Jairinho reclamava que a presença dela “atrapalhava” a vida de Natasha, mãe dela. “Ele dizia que, se eu não existisse, ia ser muito melhor. Que eu atrapalhava ela, que se fosse só ele e a minha mãe a vida dela ia ser muito melhor.” O julgamento acontece no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio. Jairinho e Monique respondem por homicídio qualificado, tortura e outros crimes relacionados à morte de Henry, ocorrida em março de 2021. As oitivas devem durar ainda vários dias. O caso em que ela acusa Jairinho de agressões corre na 35ª Vara Criminal da Capital. Jairinho durante o depoimento Divulgação/Brunno Dantas e Felipe Cavalcanti/TJRJ O depoimento de Kaylane “A gente ia para esses lugares, ele me dava socos na cabeça, apertava meu braço muito forte. Aí, teve um que a gente foi para um quarto que tinha uma piscina, e na piscina ele ficava me afundando, até eu bater no chão da piscina”, narrou a jovem. “Em uma das situações, ele torceu meu braço e disse que era para eu contar que tinha machucado no jiu-jítsu. Ele dizia que era para eu não contar para a minha mãe”, lembrou. Kaylane então afirmou como foi o momento que contou para a mãe sobre as agressões sofridas, “bem depois que eles tinham terminado”. “Eu vi uma criança que apanhava dos pais e comecei a chorar muito. A minha avó perguntou o que foi, eu comecei a dizer que ele [Jairinho] me batia muito. A minha mãe foi me ver no dia seguinte e aí eu contei para ela.” LEIA TAMBÉM: Delegado diz que Jairinho e Monique montaram 'farsa ensaiada' sobre morte de Henry Babá de Henry foi coagida por Monique a mentir e está pronta para 'falar tudo', diz advogada Psiquiatra diz que Jairinho tem 'prazer em infligir dor em crianças' Entenda como Monique e Jairinho passaram de aliados a rivais Justiça retoma julgamento do caso Henry Borel; mãe e padrasto são acusados de tortura e homicídio qualificado Jornal Nacional/ Reprodução O depoimento de Natasha Natasha, mãe Kaylane, foi ouvida em seguida. Em seu depoimento, ela afirmou que a influência de Jairinho e do Coronel Jairo em Bangu fez com que ela não denunciasse as agressões de Jairinho contra a filha. Natasha confirmou a versão da filha e disse que só soube dos episódios de agressão depois do término. “Imaginei que não iria adiantar denunciar na delegacia”, disse. Questionada pela defesa do ex-vereador Jairinho sobre a relação dela com Leniel Borel, pai de Henry, Natasha negou que ele tenha orientado os depoimentos dela e de Kaylane. Ela também afirmou que Jairinho pressionou familiares dela depois que o caso das agressões contra Kaylane foi denunciado à polícia. "Jairinho tinha ligado pra minha irmã, depois de muitos anos, e perguntando sobre Kaylane e sobre mim, que sabia em que colégio ela estudava, que ela fazia aula de tênis. Minha mãe me ligou e disse que Jairinho estava ligando para saber." Natasha afirmou que Jairinho passou a persegui-la após o término da relação. "Ele começou a virar uma pessoa que não era antes. Ficava na esquina da minha casa escondido, atrás de árvore. Já aconteceu de ele rasgar a minha roupa. Quando apareceu uma foto íntima na rua, ele disse que ninguém mais iria me assumir, que era melhor eu voltar pra ele", disse Natasha, que acredita que Jairinho tenha sido o responsável pelo vazamento da foto íntima. "Estava escrito: 'meu nome é Natasha, moro na rua tal em Bangu e quem botou meu peito foi o vereador Jairinho'", contou. O depoimento dela terminou às 13h. Ex de Jairinho fala sobre estupro Débora Mello Saraiva, ex-namorada de Jairinho, começou a ser ouvida um pouco antes das 15h. Ela afirma que seu filho foi agredido por Jairinho: "Eu tenho medo e raiva pelo que ele fez comigo e pelo meu filho", disse. Ela contou que conheceu Jairinho na Câmara, em 2014, quando atuava como assessora de uma vereadora. O relacionamento durou de 2014 a 2020, entre idas e vindas. Segundo ela, o filho viu uma reportagem com imagens de Jairinho e Henry e relatou um episódio de agressão. "Ele veio pra mim e falou: 'Mamãe, você sabe o que o Jairinho fez comigo?'. Ele disse que Jairinho tinha pisado na barriguinha dele e ficou rindo". Ao ser questionada se estava no mesmo apartamento onde a agressão aconteceu, Débora contou que foi dopada e estuprada por Jairinho. "Ele me dopou nesse dia. Foi o mesmo dia que ele me estuprou. Eu acordei com dor. Ele riu, admitiu, e disse que eu gritei igual a uma cachorra". A testemunha afirmou que seu filho teria tentado acordá-la, mas não conseguiu. "O meu filho disse: 'Eu consegui sair e eu te sacudi. Só que você não respondia'. Ele falou que (Jairinho) botou um saco na cabeça dele e ficou rodando dentro do carro no estacionamento", falou. Débora contou que teve um dedo do pé quebrado, foi arrastada pelo pescoço e levou mordidas na cabeça durante brigas com Jairinho, além de ter sido enforcada por ele. "Ele virou e me deu um chute, que quebrou um dos dedos do meu pé. Em outra briga, ele foi atrás, me pegou pelo pescoço e foi me arrastando. Enquanto ele me arrastava pelo jardim, ele me deu três mordidas na cabeça." Empregada mudou a versão Leila Rosângela, empregada doméstica que trabalhou no apartamento de Jairinho e Monique entre janeiro e março de 2021, foi ouvida nesta quinta. A testemunha afirmou que trabalhava na residência quatro vezes por semana, responsável pela limpeza, arrumação e preparo de refeições. A rotina começava às 8h e terminava perto das 15h. Rosângela disse que convivia pouco com o casal e afirmou que nunca presenciou discussões ou agressões dentro do apartamento: “Nunca presenciei nada que fosse briga”, declarou. Contou que, no dia da morte de Henry, chegou ao apartamento pela manhã e realizou normalmente as atividades domésticas. E que, por volta das 9h ou 9h30, recebeu uma ligação de Monique dispensando-a do restante do expediente. Rosângela falou ainda que quando deixava o prédio encontrou Monique chegando acompanhada de um casal desconhecido. Ela afirmou que a mãe de Henry estava chorando e informou naquele momento sobre a morte da criança. O depoimento prestado no Tribunal do Júri difere de versões apresentadas anteriormente. Em um dos relatos, Rosângela admitiu ter omitido informações relevantes sobre episódios anteriores envolvendo Jairinho e Henry. Em um deles, segundo ela, ocorrido em fevereiro de 2021, Jairinho e Henry ficaram sozinhos em um quarto, e o menino deixou o cômodo assustado e demonstrando sinais de dor. Cabeleireira: Henry relatou agressão A cabeleireira Tereza Cristina dos Santos afirmou que presenciou uma chamada de vídeo entre Monique e Henry no dia 12 de fevereiro de 2021, data em que a acusação sustenta ter ocorrido um episódio anterior de agressão contra a criança. Segundo a testemunha, Monique estava em um salão de beleza na Barra da Tijuca quando recebeu uma ligação da babá Thayná. De acordo com Tereza, durante a chamada por vídeo, Henry apareceu na tela reclamando de dores e relatando uma agressão. "O tio me deu uma banda", teria dito o menino, segundo a cabeleireira. Tereza afirmou ainda que a babá informou a Monique que Henry estava mancando e com o joelho machucado. Segundo a testemunha, ela chegou a ver a imagem da criança durante a videochamada. A cabeleireira também relatou que, durante o atendimento, ouviu Monique comentar que uma pessoa ameaçava demitir a babá por ela ser "fofoqueira". Segundo Tereza, a mãe de Henry respondeu que deixaria a casa caso a funcionária fosse dispensada. "Ela disse que, se a babá fosse demitida, ela também iria embora porque a babá cuidava muito bem do filho dela", afirmou. Durante o depoimento, a testemunha declarou ainda que Monique perguntou se havia alguma loja no shopping que vendesse câmeras de monitoramento. Tereza disse não saber se a mãe de Henry chegou a comprar os equipamentos. Questionada sobre a reação de Monique após a ligação, a cabeleireira afirmou que a cliente manteve normalmente os procedimentos no salão e só pediu para acelerar o atendimento quando a escova já estava terminando. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.