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Peritos serão ouvidos no 5º dia do júri do caso Henry Borel; veja o que disseram as testemunhas de quinta-feira

Caso Henry Borel: testemunhas relatam episódios de violência envolvendo Jairinho durante julgamento O Tribunal do Júri do Rio de Janeiro retoma nesta sexta-f...

Peritos serão ouvidos no 5º dia do júri do caso Henry Borel; veja o que disseram as testemunhas de quinta-feira
Peritos serão ouvidos no 5º dia do júri do caso Henry Borel; veja o que disseram as testemunhas de quinta-feira (Foto: Reprodução)

Caso Henry Borel: testemunhas relatam episódios de violência envolvendo Jairinho durante julgamento O Tribunal do Júri do Rio de Janeiro retoma nesta sexta-feira (29) o julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e de Monique Medeiros pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos. A expectativa é que sejam ouvidos o médico-legista Luiz Airton Saavedra de Paiva e o perito Luiz Carlos Leal Prestes, duas das testemunhas consideradas mais importantes para a acusação. Os dois especialistas assinam pareceres técnicos que sustentam que as lesões identificadas no corpo de Henry são incompatíveis com acidente doméstico ou com as manobras de reanimação realizadas no Hospital Barra D’Or. Em análises apresentadas ao longo do processo, eles também apontaram que o conjunto de ferimentos é compatível com agressões físicas. O julgamento acontece no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio, e já entrou no quinto dia. Até o fim da sessão desta quinta-feira (28), dez das 27 testemunhas previstas haviam sido ouvidas. Foram elas: Edson Henrique Damasceno; Ana Carolina Lemos Medeiros de Caldas; Rafael Bernardon Ribeiro; Maria Cristina de Souza Azevedo; Kaylane de Oliveira Duarte Pereira; Natasha de Oliveira Machado; Débora Mello Saraiva; Leila Rosângela de Souza Mattos; Tereza Cristina dos Santos; Paloma dos Santos Meireles. A quinta-feira foi marcada por depoimentos de ex-companheiras de Jairinho, familiares e profissionais que conviveram com o casal antes da morte de Henry. Kaylane diz que se sentiu culpada pela morte de Henry Caso Henry entra no terceiro dia de julgamento no Rio A primeira testemunha do dia foi Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, de 18 anos, filha de Natasha Machado, que namorou Jairinho entre 2010 e 2013. A jovem reafirmou relatos já apresentados anteriormente sobre supostas agressões sofridas quando era criança e afirmou que a morte de Henry despertou lembranças que estavam adormecidas. "Eu tinha poucas lembranças, foi como se fosse um gatilho. Eu só lembrava da cena da piscina, e depois fui lembrando dos outros episódios. Foi horrível, eu não queria falar isso com ninguém", disse. Kaylane relatou que Jairinho a agredia fisicamente quando estavam sozinhos. "A gente ia para esses lugares, ele me dava socos na cabeça, apertava meu braço muito forte. Aí, teve um que a gente foi para um quarto que tinha uma piscina, e na piscina ele ficava me afundando, até eu bater no chão da piscina." A testemunha também chorou ao lembrar do caso Henry: "Eu me senti muito culpada. Se eu tivesse falado, talvez não chegasse ao que chegou." Segundo ela, Jairinho dizia que sua presença atrapalhava a vida da mãe: "Ele dizia que, se eu não existisse, ia ser muito melhor." Natasha relata perseguição após fim do relacionamento Em seguida, foi ouvida Natasha de Oliveira Machado, mãe de Kaylane e ex-namorada de Jairinho. Ela confirmou os relatos da filha e afirmou que só tomou conhecimento das agressões após o término do relacionamento. Segundo Natasha, a influência política de Jairinho e de seu pai, o coronel Jairo Souza Santos, contribuiu para que ela não denunciasse os fatos na época: "Imaginei que não iria adiantar denunciar na delegacia." A testemunha também afirmou que passou a ser perseguida após o fim do relacionamento. "Ele começou a virar uma pessoa que não era antes. Ficava na esquina da minha casa escondido, atrás de árvore." Natasha relatou ainda episódios de intimidação e humilhação pública. "Quando apareceu uma foto íntima na rua, ele disse que ninguém mais iria me assumir, que era melhor eu voltar pra ele." Questionada pela defesa, ela negou ter sido orientada por Leniel Borel, pai de Henry, a prestar depoimento. Débora diz que filho relatou agressões atribuídas a Jairinho A terceira testemunha da quinta-feira foi Débora Mello Saraiva, que manteve um relacionamento com Jairinho entre 2014 e 2020. Segundo ela, o filho passou a relatar episódios de agressão após assistir pela televisão a uma reportagem sobre a morte de Henry. "Ele veio pra mim e falou: 'Mamãe, você sabe o que o Jairinho fez comigo?'" De acordo com Débora, o menino contou que Jairinho teria pisado em sua barriga: "Ele disse que Jairinho tinha pisado na barriguinha dele e ficou rindo." A testemunha também afirmou que foi vítima de violência sexual praticada pelo ex-vereador: "Eu estava dopada e ele me dopou nesse dia." Segundo Débora, o filho relatou que tentou acordá-la durante o episódio, mas não conseguiu. Débora iniciou o depoimento afirmando que ainda sente medo e raiva de Jairinho: "Eu tenho medo e raiva, pelo que ele fez comigo e pelo meu filho." Empregada relata rotina e episódio envolvendo Henry A empregada doméstica Leila Rosângela de Souza Mattos trabalhou para Jairinho e Monique entre janeiro e março de 2021. Ela afirmou que nunca presenciou discussões ou agressões dentro do apartamento. "Nunca presenciei nada que fosse briga." Ao relatar o dia da morte de Henry, contou que recebeu uma ligação de Monique dispensando-a do restante do expediente. Segundo Rosângela, ao deixar o prédio encontrou a mãe do menino chegando acompanhada por um casal. "Ela saiu falando comigo: 'o Henry morreu'." Durante o julgamento, a testemunha também confirmou episódio já relatado anteriormente durante as investigações envolvendo Henry e Jairinho em fevereiro de 2021. A cabeleireira Tereza Cristina dos Santos afirmou que atendia Monique em um salão da Barra da Tijuca quando presenciou uma chamada de vídeo envolvendo Henry. Segundo ela, a ligação ocorreu em 12 de fevereiro de 2021, data que a acusação aponta como um dos episódios anteriores de agressão. De acordo com a testemunha, Henry apareceu reclamando de dores. "O tio me deu uma banda", relatou a cabeleireira ao reproduzir o que ouviu da criança. Tereza afirmou ainda que a babá informou a Monique que Henry estava mancando e com o joelho machucado. A testemunha também relatou que a mãe de Henry perguntou sobre lojas que vendiam câmeras de monitoramento. Questionada sobre a reação de Monique, disse que ela não interrompeu imediatamente o atendimento. "Só quando eu estava na parte da franja é que ela pediu para acelerar. Antes disso, tudo normal." A última testemunha ouvida foi a manicure Paloma dos Santos Meireles. O depoimento durou cerca de oito minutos e foi o mais curto do julgamento até agora. Segundo os relatos apresentados em plenário, Paloma confirmou informações prestadas pela cabeleireira Tereza Cristina sobre o atendimento realizado em Monique no salão de beleza. A testemunha afirmou ainda que a mãe de Henry ficou exaltada após uma ligação recebida de Jairinho durante o período em que estava no estabelecimento. Julgamento ainda deve durar vários dias Justiça retoma julgamento do caso Henry Borel; mãe e padrasto são acusados de tortura e homicídio qualificado Jornal Nacional/ Reprodução Com apenas dez testemunhas ouvidas até agora, a expectativa é que o Tribunal do Júri ainda tenha vários dias de trabalho pela frente. Após os depoimentos dos peritos previstos para esta sexta-feira, o julgamento ainda deve ouvir outras testemunhas de acusação, entre elas Leniel Borel, pai de Henry. Na sequência, serão ouvidas as testemunhas de defesa indicadas pelos réus. Somente depois dessa fase ocorrerão os interrogatórios de Jairinho e Monique e, por fim, os debates entre acusação e defesa antes da decisão do Conselho de Sentença. A previsão entre participantes do julgamento é que os trabalhos ainda se estendam por cerca de uma semana antes da definição do veredicto.