PM envolvido em ação que matou homem na Ilha do Governador alega que perdeu câmera corporal
Homem morto em tiroteio durante operação policial na Ilha é enterrado A família de Lucas Rodrigues Rocha, de 25 anos, morto durante uma ação policial na I...
Homem morto em tiroteio durante operação policial na Ilha é enterrado A família de Lucas Rodrigues Rocha, de 25 anos, morto durante uma ação policial na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio, cobra respostas sobre a atuação de policiais militares envolvidos na ocorrência. Um dos policiais envolvidos na ação alegou que perdeu a câmera corporal - a corporação abriu uma sindicância para apurar o caso. A ação de PMs que chegaram a um ferro velho perto do local dos tiros em um carro descaracterizado foi registrado por vídeos obtidos pela família. Agentes que não estão fardados aparecem no vídeo e nenhum deles usa câmera corporal. Até o momento, a corporação não respondeu sobre os policiais que aparecem nas imagens. A PM informou apenas que abriu um procedimento na corregedoria para apurar o caso. Já a Polícia Civil disse que as armas usadas na ação foram apreendidas para perícia. Lucas foi enterrado nesta quarta-feira no Cemitério da Penitência, no Caju. Casado e pai de dois filhos, ele trabalhava com carteira assinada e fazia entregas por aplicativo nas horas vagas. PM sai de carro comum pelo porta-malas e armado antes de ação com morte de Lucas Rodrigues Rocha no Rio Reprodução “Aqui era onde o Lucas e minha filha estavam construindo o sonho deles”, disse uma parente ao mostrar a casa ainda em obras. “Aqui seria o quarto onde o Lucas não vai dormir.” Segundo a família, Lucas foi morto na última terça-feira enquanto fazia uma entrega de moto na comunidade onde morava, na Vila Joaniza, na Ilha do Governador. A Polícia Militar afirma que equipes faziam patrulhamento na região quando encontraram um grupo de homens armados. Ainda segundo a corporação, houve confronto e três suspeitos foram baleados. Dois morreram e um ficou ferido. A família de Lucas nega que ele estivesse armado e contesta a versão apresentada pela PM. “A gente pediu esclarecimento da polícia e nem resposta teve. Por que saiu um homem de dentro do carro descaracterizado, de dentro do porta-malas? Por que não estavam fardados? Por que não estavam com câmera? Está tudo errado. A gente só quer justiça”, afirmou uma familiar de Lucas. Novas imagens Imagens de câmeras de segurança obtidas pela família mostram a movimentação dos policiais em um ferro-velho próximo ao local onde Lucas foi baleado. As gravações registram um carro vermelho entrando no terreno às 4h13. O motorista aparece sem farda e, em seguida, outros cinco policiais saem do veículo, alguns armados. Um dos agentes deixa o porta-malas do carro. Nenhum deles usa colete ou câmera corporal. Os policiais caminham até os fundos do ferro-velho, usam uma escada para pular um muro e seguem em direção à comunidade. Em outro trecho das imagens, um agente parece impedir funcionários do local de deixarem o espaço. Seis minutos depois, um policial retorna ao carro. O veículo deixa o ferro-velho e encontra um blindado da PM na rua. Um dos agentes entra no caveirão e os dois veículos seguem na mesma direção. Moradores relataram que o blindado costuma ficar estacionado naquela região durante operações. O RJ2 apurou que um dos policiais afirmou não usar câmera corporal porque participava de um serviço reservado. Já um outro PM, que estava em uma ação perto dali, disse que perdeu a câmera. Para o Ministério Público, o uso do equipamento é obrigatório em ações com contato com civis. “Não há qualquer situação em que policial fardado e armado se exonere do uso da câmera corporal. Ele tem que usar em todas as interações que tiver com civis”, afirmou o promotor Paulo Roberto Mello Cunha Júnior, subcoordenador do Gaesp/MPRJ.